Cedo

É cedo, o céu escuro lá fora
joga o mundo na penumbra sombria
a que estamos mais que acostumados

É cedo, pessoas se matam,
se suicidam enquanto cães ladram
abafando desejos sexuais murmurados

É cedo, e os escritores malditos
batem incansavelmente em suas gastas teclas
e músicos de jazz tocam solos improvisados

É cedo, embora tarde para as putas
esperando fregueses tristes em suas janelas tristes
e poetas lêem Hemingway, tristes e embriagados

É cedo, e embora vai a noite
vão dormir os boêmios e suicidas frustrados
já caíram os drogados e bêbados inveterados

É cedo, e nada disso me preocupa
não ligo pra jazzistas e escritores, putas tampouco
afinal passei a noite pensando na morena, acordado.

É cedo. Vou dormir.

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One Response to Cedo

  1. Mary disse:

    Gostei, bastante!
    que mania de depreciar teus textos…

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